What lies behind us, and what lies before us are tiny matters compared to what lies within us.
~ Ralph Waldo Emerson ~
13/02/2011
VALENTINE MODE
28/01/2011
26/01/2011
A IGREJA E A DIFICULDADE DE SE FAZER OUVIR NA SOCIEDADE #2
É certo e sabido que um gesto vale mais do que mil palavras e que estas o vento as leva. Mas um gesto, uma acção pode transformar uma vida.
E de forma muito sucinta apenas digo que:
1. A Igreja tem a terrível tendência de falar mais do que agir.
2. Que as palavras da Igreja têm de ter correspondência na prática.
3. Que não pode haver disparidade entre o que se diz e o que se faz.
4. Que a sociedade está muito mais voltada para o que fazemos do que o que dizemos.
5. Que aos olhos desta sociedade, as acções da Igreja servem para a credibilização da sua mensagem.
Se queremos que o mundo nos ouça, talvez seja necessário que nos veja primeiro em acção.
NOTA: Não quero aqui desvalorizar o poder da palavra, porque esta também pode e deve ser agente de mudança e de transformação e em muitos casos é de facto a palavra que muda e transforma alguém. Apenas sinto que estes são dias de oportunidades para a Igreja revelar a Cristo por palavras mas sobretudo por acções.
20/01/2011
A IGREJA E A DIFICULDADE DE SE FAZER OUVIR NA SOCIEDADE #1
“Se ninguém nos ouve, porque é que ainda estamos a falar?”
Talvez a afirmação mais acima não seja a melhor forma de se iniciar um texto acerca daquilo que eu considero ser uma das maiores dificuldades da Igreja dos nossos tempos, fazer-se ouvir na sociedade nos dias que correm. Eu sei. É um risco que corro, mas vou arriscar.
Com isto não quero dizer que nós como Igreja não tenhamos nada a dizer à sociedade contemporânea, ou que a nossa mensagem é irrelevante. Pelo contrário. Creio profundamente naquilo que disse o conferencista Mal Fletcher, numas das últimas vezes que o ouvi, “A IGREJA TEM A MELHOR MENSAGEM DO MUNDO”. Tenho dúvidas é em relação ao tipo de comunicação e dúvidas em relação a eficácia dos meios de comunicação que usamos. Mas vamos por partes.
O USO DE UMA LINGUAGEM ADEQUADA
Ao visitar algumas Igrejas onde tenho sido convidado a compartilhar a palavra de Deus, e por vezes até mesmo na Igreja que pastoreio, sou confrontado com o uso de uma linguagem que tenho chamado de “CRENTÊS”. É todo um conjunto de termos, expressões e jargões que só que frequenta uma igreja evangélica á algum tempinho conseguirá entender. Isto para não falar de expressões tão vazias de significado, mas na mais recente moda religiosa, importadas sobretudo do meio evangélico do Brasil.
Pergunto-me pois, se alguém que entre pelas nossa portas pela primeira vez não terá algumas dificuldades para entender o “dialecto” que se usa, ou necessitará de interprete, tradutor ou de dicionário? Não estará em xeque a eficácia da “MELHOR MENSAGEM DO MUNDO”, pelo uso inadequado e desactualizado da linguagem?
A ACTUALIZAÇÃO DOS TEMAS
Outra coisa que tenho reparado é forma tão desactualizada com que se aborda a palavra de Deus e os temas ensinados. Ou seja, o discurso não está apenas desactualizado na sua expressão mas no seu conteúdo também, fazendo ruir a relevância da palavra de Deus tão necessária aos nossos dias.
Dou um exemplo. No vigor dos anos 1950-1960, auge do movimento ateísta, era lógico vermos a Igreja a preparar o seus membros para a discussão acerca de como provar a existência de Deus. Mas os nossos dias têm revelado um cada vez mais crescente interesse nas coisas espirituais por parte da sociedade, diria mesmo, uma crescente sede por Deus e por tudo o que com Ele está relacionado. Creio pois que a Igreja deveria estar a lidar não com um debate que não está mais em primeiro plano (a existência ou não de Deus), mas com o mostrar que dentre a miríade de deuses, planos de auto-ajuda, astrologia, espiritismo e filosofias orientais, que Jesus é o Salvador e o único caminho para Deus.
Digo isto porque desejo ver a Igreja discutir aquilo que está na agenda da discussão da sociedade nos dias de hoje e não aquilo que estava a ser discutido á uma década atrás. Acredito que a relevância e impacto da Igreja numa cidade ou país onde se encontra, tem haver com a capacidade de agir em consonância com os desafios apresentados pela própria sociedade, adequando o seu discurso e ensino às necessidades apresentadas e intervindo nas carências que uma rua, bairro, cidade e país apresentam.
OS MEIOS PARA COMNUNICAR SÃO TÃO IMPORTANTES COMO AQUILO QUE SE COMUNICA
Mal Fletcher também afirmou algo que concordo profundamente: “O MEIO É A MENSAGEM”. Ou seja, os meios que usamos para comunicar uma mensagem dão credibilidade ou não à mensagem que comunicamos. O risco que corremos ao usar meios inadequados, defasados no tempo é a descredibilização da mensagem.
Talvez seja por vivermos num momento da história onde o aspecto do uso de tecnologias seja tão importante em todas as áreas da nossa vida, que a Igreja tem de considerar como de suma importância este mesmo uso de tecnologias para a comunicação da mensagem do evangelho dentro e fora dos seus locais de culto. Porque uma mensagem actual e relevante corre o risco de perder o seu impacto pelos meios ultrapassados que usamos.
A isto soma-se a música nas nossas reuniões públicas. Falta à Igreja, na maioria dos casos, o interesse pela actualização e contemporâneidade da música. Não estou a discutir as letras das músicas, porque tenho de concordar com os que dizem que musicas modernas são muitas vezes vazias de conteúdo. Mas digo que um estilo moderno/contemporâneo é essencial para uma comunicação relevante da mensagem através da música.
05/01/2011
ROTINA
Quem disse que a rotina é má? De onde nos veio a ideia de que a palavra ‘ROTINA’ é sinónimo de ‘chato’ ou ‘aborrecido’?
Não é a própria vida um interminável ciclo de pequenas rotinas? Acordar, levantar (não importa a que horas), comer, permanecer acordado (não importa o que fazemos neste tempo) para depois voltarmos a dormir, etc? Isto sem falar de ciclos biológicos a que seguimos quer queiramos quer não.
Não estaremos sujeitos, não escravos, apenas emersos numa constante pouco variável de relacionamentos e nas dinâmicas que estes criam? Não será a própria existência humana uma rotina? Quero dizer com isto que uns já cá vieram antes de mim e outro virão quando me for. Por isso que onde vem a noção de que a palavra ROTINA é sinónimo de PASMACEIRA, ABORRECIMENTO ou CHATICE?
Talvez do pesado fardo que nos é lançado pelo mundo acelerado em que vivemos. Estes são tempos de mudanças e rápidas e constantes. Na realidade já se tem dito que a única certeza quanto ao mundo em que vivemos é que está em permanente mudança e esta parece processar-se cada vez mais rápido. Para termos uma noção disto basta-nos observar a rapidez com que os modelos de telemóveis são substituídos por outros mais avançados num cada vez mais curto espaço de tempo. E se neste meio em que vivemos não nos adaptamos às mudanças, á pressão cada vez maior daquilo que é uma novidade, “vamos ficando para trás”, ou assim pensamos. E este sentimento é perigoso porque o tomamos como princípio para todos os sectores da nossa vida. Logo, logo há gente aborrecida com a televisão plasma FULL HD comprada à 2 anos que já está ultrapassada pelos modelos LED 3D, ou com o seu computador pessoal, ou com a máquina de café que não é da marca dos famosos actores de cinema etc. O problema é quando este princípio que usamos com coisas passa a nortear a forma como nos vemos e vemos as pessoas à nossa volta. E se acordássemos um dia com a ideia que está na hora de trocar de esposa, afinal a nossa já tem uma certa idade e o casamento já leva alguns anitos? E os filhos? Sempre os mesmos? Não, não! Tá na hora de ter uns novos. Família? Quem foi que disse que família não se escolhe? Procuram-se novos irmãos, já que pais é um pouco mais complicado. Amigos? Isso então é o mais fácil. Mas não será exactamente isto que muitos têm feito?
É claro que eu também sou apologista da mudança, pelo acrescentar do que falta, pelo ir mais longe tanto quanto possível, por estarmos ‘a passo’ com o mundo tecnológico em que vivemos. Mas não advogo a mudança do estilo, ‘trocar 6 por meia/dúzia’. É preciso que cuidado quando a mudança é um fim em si mesma e não tem um sentido útil e de propósito.
O que não percebemos é que a permanente procura pela novidade, pela novidade em si, só nos deixa cada vez mais frustrados, vazios, olhando tudo à nossa volta com um sentido utilitarista e acima de tudo, faz-nos ser instáveis. Viciados na novidade são pessoas instáveis. Têm dificuldades em aprofundar relacionamentos, expressar valores sólidos e vivem uma fé dependente do que é a moda religiosa do momento. Há que criar raízes, fundamentos. E estes vêem com rotinas. Com processos.
O que é rotineiro não é necessariamente mau se edifica, constrói, acrescenta, valoriza outros e se tem a capacidade de corrigir o que está mal.
22/07/2010
PASSADO, PRESENTE & FUTURO
O futuro parece causar aversão a algumas pessoas tanto quanto o passado me causa a mim. Não que o meu passado esteja recheado de histórias tristes (todos as têm), de violências (a maioria as têm) ou de traumas (quase todos as têm). Mas porque acredito sinceramente que o melhor da minha vida ainda está para surgir e o meu melhor eu ainda virá.
O que parecemos não entender é que o futuro é a única porção do tempo da nossa existência que ainda pode ser moldado. Ao contrário do que se pensa, o hoje não pode ser alterado, mas as escolhas que hoje fazemos, essas sim determinarão o nosso futuro.
Até para aqueles “revivalistas”, ou que simplesmente desejam reviver o já acontecido e pensam que estão mexer no passado, nada mais estão a fazer que a determinar o seu futuro. Presos ao passado, vivem o hoje como no passado determinando um futuro como no passado. No entanto, o mais triste nisto tudo, é que a maioria dos que vivem uma vida ancorado no passado, vive não por causa das grandes, belas, bonitas e positivamente marcantes vivências, nas por causa de dores, perdas, mágoas e tristezas.
Como digo muitas vezes, o passado é pedagógico se com ele aprendermos as lições respectivas, levando-nos a fazermos escolhas que determinem um amanhã melhor do que tudo o que já vivemos até aqui. Libertarmo-nos do passado não é somente uma atitude de ruptura mas também de misericórdia para connosco e para com aqueles que nos olham e desejam em nós mudanças e que acabam por depender directamente de nós.