ISAQUE LUCENA

26/01/2011

A IGREJA E A DIFICULDADE DE SE FAZER OUVIR NA SOCIEDADE #2

Filed under: Igreja,Passado/Presente/Futuro,Vida — ISAQUE LUCENA @ 12:29

É certo e sabido que um gesto vale mais do que mil palavras e que estas o vento as leva. Mas um gesto, uma acção pode transformar uma vida.

E de forma muito sucinta apenas digo que:

1.  A Igreja tem a terrível tendência de falar mais do que agir.

2.  Que as palavras da Igreja têm de ter correspondência na prática.

3.  Que não pode haver disparidade entre o que se diz e o que se faz.

4.  Que a sociedade está muito mais voltada para o que fazemos do que o que dizemos.

5.  Que aos olhos desta sociedade, as acções da Igreja servem para a credibilização da sua mensagem.

Se queremos que o mundo nos ouça, talvez seja necessário que nos veja primeiro em acção.

NOTA: Não quero aqui desvalorizar o poder da palavra, porque esta também pode e deve ser agente de mudança e de transformação e em muitos casos é de facto a palavra que muda e transforma alguém. Apenas sinto que estes são dias de oportunidades para a Igreja revelar a Cristo por palavras mas sobretudo por acções.

20/01/2011

A IGREJA E A DIFICULDADE DE SE FAZER OUVIR NA SOCIEDADE #1

Filed under: Igreja,Passado/Presente/Futuro — ISAQUE LUCENA @ 13:05

“Se ninguém nos ouve, porque é que ainda estamos a falar?”

Talvez a afirmação mais acima não seja a melhor forma de se iniciar um texto acerca daquilo que eu considero ser uma das maiores dificuldades da Igreja dos nossos tempos, fazer-se ouvir na sociedade nos dias que correm. Eu sei. É um risco que corro, mas vou arriscar.

Com isto não quero dizer que nós como Igreja não tenhamos nada a dizer à sociedade contemporânea, ou que a nossa mensagem é irrelevante. Pelo contrário. Creio profundamente naquilo que disse o conferencista Mal Fletcher, numas das últimas vezes que o ouvi, “A IGREJA TEM A MELHOR MENSAGEM DO MUNDO”. Tenho dúvidas é em relação ao tipo de comunicação e dúvidas em relação a eficácia dos meios de comunicação que usamos. Mas vamos por partes.

O USO DE UMA LINGUAGEM ADEQUADA

Ao visitar algumas Igrejas onde tenho sido convidado a compartilhar a palavra de Deus, e por vezes até mesmo na Igreja que pastoreio, sou confrontado com o uso de uma linguagem que tenho chamado de “CRENTÊS”. É todo um conjunto de termos, expressões e jargões que só que frequenta uma igreja evangélica á algum tempinho conseguirá entender. Isto para não falar de expressões tão vazias de significado, mas na mais recente moda religiosa, importadas sobretudo do meio evangélico do Brasil.

Pergunto-me pois, se alguém que entre pelas nossa portas pela primeira vez não terá algumas dificuldades para entender o “dialecto” que se usa, ou necessitará de interprete, tradutor ou de dicionário? Não estará em xeque a eficácia da “MELHOR MENSAGEM DO MUNDO”, pelo uso inadequado e desactualizado da linguagem?

A ACTUALIZAÇÃO DOS TEMAS

Outra coisa que tenho reparado é forma tão desactualizada com que se aborda a palavra de Deus e os temas ensinados. Ou seja, o discurso não está apenas desactualizado na sua expressão mas no seu conteúdo também, fazendo ruir a relevância da palavra de Deus tão necessária aos nossos dias.

Dou um exemplo. No vigor dos anos 1950-1960, auge do movimento ateísta, era lógico vermos a Igreja a preparar o seus membros para a discussão acerca de como provar a existência de Deus. Mas os nossos dias têm revelado um cada vez mais crescente interesse nas coisas espirituais por parte da sociedade, diria mesmo, uma crescente sede por Deus e por tudo o que com Ele está relacionado. Creio pois que a Igreja deveria estar a lidar não com um debate que não está mais em primeiro plano (a existência ou não de Deus), mas com o mostrar que dentre a miríade de deuses, planos de auto-ajuda, astrologia, espiritismo e filosofias orientais, que Jesus é o Salvador e o único caminho para Deus.

Digo isto porque desejo ver a Igreja discutir aquilo que está na agenda da discussão da sociedade nos dias de hoje e não aquilo que estava a ser discutido á uma década atrás. Acredito que a relevância e impacto da Igreja numa cidade ou país onde se encontra, tem haver com a capacidade de agir em consonância com os desafios apresentados pela própria sociedade, adequando o seu discurso e ensino às necessidades apresentadas e intervindo nas carências que uma rua, bairro, cidade e país apresentam.

OS MEIOS PARA COMNUNICAR SÃO TÃO IMPORTANTES COMO AQUILO QUE SE COMUNICA

Mal Fletcher também afirmou algo que concordo profundamente: “O MEIO É A MENSAGEM”. Ou seja, os meios que usamos para comunicar uma mensagem dão credibilidade ou não à mensagem que comunicamos. O risco que corremos ao usar meios inadequados, defasados no tempo é a descredibilização da mensagem.

Talvez seja por vivermos num momento da história onde o aspecto do uso de tecnologias seja tão importante em todas as áreas da nossa vida, que a Igreja tem de considerar como de suma importância este mesmo uso de tecnologias para a comunicação da mensagem do evangelho dentro e fora dos seus locais de culto. Porque uma mensagem actual e relevante corre o risco de perder o seu impacto pelos meios ultrapassados que usamos.

A isto soma-se a música nas nossas reuniões públicas. Falta à Igreja, na maioria dos casos, o interesse pela actualização e contemporâneidade da música. Não estou a discutir as letras das músicas, porque tenho de concordar com os que dizem que musicas modernas são muitas vezes vazias de conteúdo. Mas digo que um estilo moderno/contemporâneo é essencial para uma comunicação relevante da mensagem através da música.

29/12/2010

SE PROCURA PERFEIÇÃO, NÃO A ENCONTRARÁ AQUI!

Filed under: Igreja,Leituras — ISAQUE LUCENA @ 19:06

Um dos livros que me marcaram este ano foi o livro do escritor Jonh Burke, ‘PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS PERFEITAS’, da editora Vida. Nele há uma afirmação que vi ser usada aqui no Brasil (S. Paulo) sob a forma de um flyer dizendo o seguinte: ‘ESTÁ CANSADO DE IGREJA MAS NÃO DE DEUS, VENHA CONHECER-NOS!’ Este flyer pertence a uma comunidade, leia-se Igreja, com uma proposta de alcance de uma determinada faixa etária urbana, secularizada e descrente ou decepcionada com a Igreja evangélica histórica e institucional. Esta comunidade é uma Igreja formada, estabelecida segundo critérios comuns, com regras e até declaração de fé, o que faz dela, pelo menos aos meus olhos, institucional. Mas o que torna esta Igreja tão especial é o ambiente descomplicado, descontraído, que usa música e os média com muita criatividade e uma linguagem comum (não se fala crentês) e onde cada um é bem vindo tal como é e como se encontra. Ou seja, nesta comunidade encontramos pessoas que não encontraríamos em outras Igrejas.

Isto tudo para dizer que o livro escrito pelo pastor da Gateway, foi levado muito a sério aqui no Brasil na cidade de S. Paulo de tal forma que a proposta apresentada por esta comunidade está realmente a ver frutos. Num outro flyer da mesma comunidade lê-se: ‘CRÊ EM DEUS MAS NÃO EM IGREJA, VISITE A GENTE’.

Quer o livro do escritor Jonh Burke quer o exemplo desta Igreja realmente desafia-me e abrir os meus olhos para perceber a sociedade em que estamos inseridos (adaptações são necessárias por viver no contexto europeu), e olhar com amor as pessoas à nossa volta. É de facto uma leitura que aconselho vivamente.

Agora, o porquê da escolha destas duas afirmações? Devido a duas pergunta que tenho feito ultimamente.

  1. Porque é que as pessoas nesta sociedade tão secularizada e ao mesmo tempo tão voltada para as coisas espirituais, têm tanta aversão à Igreja?
  2. Não deveríamos estar empenhados em combater esta imagem negativa, sendo nós mesmos Igrejas atractivas, contemporâneas e relevantes na sociedade de hoje?

Pois eu tenho vontade de afixar à porta na Igreja que pastoreio um letreiro com a seguinte afirmação: ‘PROIBIDA A ENTRADA A PESSOAS PERFEITAS’. Mas sei que para alguns teria de ser algo do tipo: ‘SE PROCURA PERFEIÇÃO, NÃO A ENCONTRARÁ AQUI!’

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