“Se ninguém nos ouve, porque é que ainda estamos a falar?”
Talvez a afirmação mais acima não seja a melhor forma de se iniciar um texto acerca daquilo que eu considero ser uma das maiores dificuldades da Igreja dos nossos tempos, fazer-se ouvir na sociedade nos dias que correm. Eu sei. É um risco que corro, mas vou arriscar.
Com isto não quero dizer que nós como Igreja não tenhamos nada a dizer à sociedade contemporânea, ou que a nossa mensagem é irrelevante. Pelo contrário. Creio profundamente naquilo que disse o conferencista Mal Fletcher, numas das últimas vezes que o ouvi, “A IGREJA TEM A MELHOR MENSAGEM DO MUNDO”. Tenho dúvidas é em relação ao tipo de comunicação e dúvidas em relação a eficácia dos meios de comunicação que usamos. Mas vamos por partes.
O USO DE UMA LINGUAGEM ADEQUADA
Ao visitar algumas Igrejas onde tenho sido convidado a compartilhar a palavra de Deus, e por vezes até mesmo na Igreja que pastoreio, sou confrontado com o uso de uma linguagem que tenho chamado de “CRENTÊS”. É todo um conjunto de termos, expressões e jargões que só que frequenta uma igreja evangélica á algum tempinho conseguirá entender. Isto para não falar de expressões tão vazias de significado, mas na mais recente moda religiosa, importadas sobretudo do meio evangélico do Brasil.
Pergunto-me pois, se alguém que entre pelas nossa portas pela primeira vez não terá algumas dificuldades para entender o “dialecto” que se usa, ou necessitará de interprete, tradutor ou de dicionário? Não estará em xeque a eficácia da “MELHOR MENSAGEM DO MUNDO”, pelo uso inadequado e desactualizado da linguagem?
A ACTUALIZAÇÃO DOS TEMAS
Outra coisa que tenho reparado é forma tão desactualizada com que se aborda a palavra de Deus e os temas ensinados. Ou seja, o discurso não está apenas desactualizado na sua expressão mas no seu conteúdo também, fazendo ruir a relevância da palavra de Deus tão necessária aos nossos dias.
Dou um exemplo. No vigor dos anos 1950-1960, auge do movimento ateísta, era lógico vermos a Igreja a preparar o seus membros para a discussão acerca de como provar a existência de Deus. Mas os nossos dias têm revelado um cada vez mais crescente interesse nas coisas espirituais por parte da sociedade, diria mesmo, uma crescente sede por Deus e por tudo o que com Ele está relacionado. Creio pois que a Igreja deveria estar a lidar não com um debate que não está mais em primeiro plano (a existência ou não de Deus), mas com o mostrar que dentre a miríade de deuses, planos de auto-ajuda, astrologia, espiritismo e filosofias orientais, que Jesus é o Salvador e o único caminho para Deus.
Digo isto porque desejo ver a Igreja discutir aquilo que está na agenda da discussão da sociedade nos dias de hoje e não aquilo que estava a ser discutido á uma década atrás. Acredito que a relevância e impacto da Igreja numa cidade ou país onde se encontra, tem haver com a capacidade de agir em consonância com os desafios apresentados pela própria sociedade, adequando o seu discurso e ensino às necessidades apresentadas e intervindo nas carências que uma rua, bairro, cidade e país apresentam.
OS MEIOS PARA COMNUNICAR SÃO TÃO IMPORTANTES COMO AQUILO QUE SE COMUNICA
Mal Fletcher também afirmou algo que concordo profundamente: “O MEIO É A MENSAGEM”. Ou seja, os meios que usamos para comunicar uma mensagem dão credibilidade ou não à mensagem que comunicamos. O risco que corremos ao usar meios inadequados, defasados no tempo é a descredibilização da mensagem.
Talvez seja por vivermos num momento da história onde o aspecto do uso de tecnologias seja tão importante em todas as áreas da nossa vida, que a Igreja tem de considerar como de suma importância este mesmo uso de tecnologias para a comunicação da mensagem do evangelho dentro e fora dos seus locais de culto. Porque uma mensagem actual e relevante corre o risco de perder o seu impacto pelos meios ultrapassados que usamos.
A isto soma-se a música nas nossas reuniões públicas. Falta à Igreja, na maioria dos casos, o interesse pela actualização e contemporâneidade da música. Não estou a discutir as letras das músicas, porque tenho de concordar com os que dizem que musicas modernas são muitas vezes vazias de conteúdo. Mas digo que um estilo moderno/contemporâneo é essencial para uma comunicação relevante da mensagem através da música.